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Drogas, censura, arte e América: os temas de Marilyn Manson

 

Manson passou seus últimos discos batendo de frente com um dos temas mais "perigosos" entre os seres humanos, a religião. Agora, Manson chegou a uma conclusão direta de que arte "é" religião, então resolveu esquecer a briga com as diversas vertentes do assunto. Seguindo o tradicional discurso dos artistas, ele acha que a arte deve abrir a mente das pessoas e não fechá-la. As influências foram várias, mas Berlim, na Alemanha, teve um papel especial em The Golden Age of Grotesque. "Foi lá que os artistas começaram a criar coisas que surgiam em suas mentes e não que estavam a sua volta, na paisagem", explica. Tentando esquecer seus últimos anos de adulto e se concentrando na vida quando criança, o artista falou sobre seu novo trabalho.

Afinal, o que significa The Golden Age of Grotesque?

The Golden Age of Grotesque foi cirado para expressar exatamente o que implica. Não é somente um disco, um show e sim uma idade. Trata-se de uma batalha que conquistei. E quando se conquista algo é também o momento de se criar algo novo. Este disco é Walt Disney, Mickey Mouse, Disneylândia... é tudo o que você quiser que seja. Quero compartilhar minha imaginação com o resto do mundo e que saibam qual o motivo de minha luta. De resto, creio que as pessoas deveriam compartilhar sua imaginação com os demais. Se fosse assim, não me culpariam pela violência quando não fui eu mesmo que a criei e nem tenho responsabilidade pelas ações de outras pessoas.

Como foi sua experiência no Prêmio MTV em Barcelona?

Foi tudo tão estranho e surrealista, ver todas aquelas apresentações. Mas depois subi ao palco com Eminem e tudo ficou bem. No geral, gosto desse tipo de experiência. mas não pertenço a esse tipo de mundo.

O show de Marilyn Manson...

É um show que combina espetáculo e arte. Vocês poderão me ver sem roupa, entre elefantes, ou seja, tudo que minha imaginação e dinheiro permitirem. Acho interessante fazer um show no nível do público, mas acho melhor ainda elevar o nível do público ao show que estou fazendo. Desta forma, todos podem se sentir como estrelas do rock. Não é um show que termina quando saio do palco, quero que as pessoas percebam que ele continua depois, fora dali.

Em um show no Big Day Out, na Grã Bretanha, havia um enorme letreiro em seu show escrito "drogas". As drogas tiveram um efeito permanente em sua música e vida, tiveram também em seu novo disco?

(Marilyn fita o desconcertado repórter). Tem drogas aí? (Manson ri). Sim, esse disco foi criado na decadência e existem muitas maneiras de se fazer isso. Tem gente que quer esquecer sua infância, mas eu não. Às vezes as drogas te tira a inibição e te fazem agir de forma infantil. Neste sentido, é difícil ouvir as regras já que elas são impostas. Por isso as crianças não caem quando correm ao redor da piscina, porque não é permitido. E por isso as drogas só me inspiraram a ouvir as regras. Mas é sempre excitante criar arte desta maneira. Mas não acho que eu dependa das drogas, pois não consigo criar muito bem quando estou sob a influência delas. No entanto, me ajuda viver experiências com drogas, que incluo bebidas, por exemplo o absinto. De resto, foi uma obra de arte criada claramente sob a influência do absinto.

A volta da censura...

Sim, voltei a ser censurado. Tiveram algumas imagens que não foram incluídas no disco, mas vão estar comigo no palco. Esse é meu modo infantil de lutar contra os que vão contra mim. Acho estúpido que a América, que luta em guerras pela a democracia, não me permite dizer o que sinto. A única coisa que posso fazer é lutar pelos meus direitos e democracia.

Essa luta passa por diversos temas no disco, não?

Quero ser um artista que luta a batalha pela arte. Este disco é sobre relações, fala de diferentes mulheres, amizades, gente com quem toquei e relações entre o caos e a ordem, entre mim e o resto do mundo. Mas isso não quer dizer que devamos nos levar muito à sério, temos de ter sarcasmo e sentido de humor mesmo que isso implique em romper algumas regras.

Qual o melhor disco de Elvis?

(Ele ri). Não, não. Não é Better of Two Elvis e sim Better of Two Evils (o melhor de dois males). Mas quando eu era pequeno o artista favorito de minha mãe era o Elvis. Foi uma tragédia o que ocorreu.Elvis é único por muitas coisas, um fenômeno único, como Jesus Cristo. É o que todo mundo precisa, um ícone, algo em que acreditar. Mesmo que só acreditem nele por seu carisma. Já fiz uma versão para minha mãe de In the Ghetto.

Manson comenta sua participação do documentário de Michael Moore, Tiros em Columbine, sobre os tiroteios entre estudantes nos EUA...

Gosto da parte que selecionaram no filme com minhas opiniões. Existem outras partes do filme que carregam uma política que não estou de acordo. Mas é um grande documentário e como me deixa em um lugar ao sol, estou plenamente de acordo e contente com o projeto. Esse foi um disco problemático, especialmente por ter deixado de trabalhar com Twiggy Ramírez.

Quando começamos a fazer esse disco, o entusiasmo de Twiggy não estava no mesmo nível dos demais e corríamos o risco de fazer algo não tão bom. Assim, falei com ele. Realmente não acredito que ele quisesse nos deixar, mas creio que foi o melhor para o grupo. Temos tentado ser amigos e simplesmente seguir caminhos diferentes porque quero que essa banda continue a mesma, com ele ou sem ele. Mas isso não invalida o que fizemos no passado.

Agora ele está no controle da produção.

Queria que esse disco tivesse um som sujo, não queria trabalhar com nenhum produtor convencional que me dissesse que deveria mudar coisas que não deveriam ser mudadas. Não queria que nada que não estivesse envolvido diretamente com nosso processo criativo influenciasse em nossas decisões. Por isso, não deixei a gravadora escutasse o disco até quase um mês ou dois. Existe um grande medo na América que um disco não seja vendido por causa da censura. Mas, para quê vender um disco que não se queira fazer?

Voltando a falar sobre o disco.

Os tempos que vivemos podem ser considerados grotescos. Só tratei de enfocar minha religião e meus pensamentos políticos na música, embora continue fazendo o que fazia no passado. Creio que fiz o melhor que podia para desafiar as crenças das pessoas, para que possam pensar sobre o assunto. Neste disco fui influenciado por muitas coisas dos anos 20 e 30 em Hollywood. No período em que as produtoras de marketing nasceram, onde a moda nasceu, quando acreditávamos nas coisas sem que existisse um amanhã. Tudo o que está agora refletido no entretenimento e arte. Os artistas em Berlim também estavam criando como se não existisse o amanhã porque para ele realmente isso não existia. Agora, um ano depois de fazer essas letras, me dou conta que ganharam um sentido muito diferente devido à guerra porque a história se repete. Assim, quando me perguntam se as letras são premonições digo que não escrevi essas cosas antes que ocorressem porque era óbvio que iriam acontecer.

 

A relação com os fãs...

Coloco coisas nos meus discos de maneira que se reflitam de alguma forma. aproveito a internet para que vejam coisas em meu website que em outros sites não podem ser apreciadas, devido à censura. Quero que meus fãs sejam parte deste todo. Algo em que se acredita não está completo até que você dê isso para alguém. Não é algo que acredito só para mim mesmo e sim que é algo para que alguém sinta alguma coisa. Preciso que as pessoas passem isso adiante para que a sensação seja completa.

 

(Fonte: Portal Terra)

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